A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 446/25, que autoriza a produção, comercialização, importação e exportação de produtos e serviços Kosher no Brasil.
A proposta, do deputado Padovani (União-PR), estabelece que esses itens devem seguir os preceitos judaicos, respeitando critérios específicos de preparo e manipulação. O projeto define regras para a caracterização desses produtos, exigindo a transparência sobre a origem dos ingredientes, a rotulagem e a necessidade de certificação emitida por entidades reconhecidas.
A fiscalização ficará a cargo dos órgãos competentes, com previsão de regulamentação posterior pelo Poder Executivo. O objetivo é atender à comunidade judaica no Brasil e promover a diversidade cultural e religiosa. Além do aspecto social, o autor destaca o impacto econômico, já que a certificação Kosher é um símbolo internacional de qualidade e segurança alimentar.
O relator, deputado Beto Richa (PSDB-PR), recomendou a aprovação do texto. Beto Richa ressaltou ainda que a proposta se harmoniza com a liberdade religiosa prevista na Constituição, assegurando o direito de comunidades exercerem seus costumes e práticas de fé. (Fonte: Agência Câmara de Notícias)
O portal 18 Israel consultou o departamento internacional da Agência Global Kosher Certification, em Nova York, sobre o impacto da nova comissão brasileira no mercado kosher global. A análise foi coordenada pelos rabinos Yair Massri (Juiz Arbitral e chefe do Sephardic Center nos EUA) e Ovadia Tank (Diretor de Relações Exteriores da WJC). Confira a resposta na íntegra logo abaixo.
18 Israel: O que pode trazer de benéfico para o Brasil?
Rav Tank: O selo Kosher deixou de ser um nicho religioso para se tornar o “Padrão Ouro” de pureza e transparência mundial. Para o Brasil, esta certificação é a chave para destravar faturamentos bilionários:
- Alcance Global, além de Israel: O maior mercado Kosher do mundo são os EUA (12 milhões de consumidores regulares). Menos de 20% são judeus; o restante são veganos, intolerantes à lactose e entusiastas do Clean Label que buscam a segurança máxima que só o selo Kosher garante.
- Acesso Direto ao Oriente Médio: Surpreendentemente, o selo é amplamente aceito em países árabes pela rigorosa ausência de derivados suínos, facilitando exportações onde outros falham.
- Prestígio de Prateleira: No Brasil e na Europa, o selo posiciona o produtos kosher brasileiro em redes premium, atraindo consumidores de alto poder aquisitivo e habilitando a marca como fornecedora de gigantes como Nestlé e Unilever.
- A oportunidade: Em 2026, o mercado Kosher superará os US$ 60 bilhões. Não é sobre religião, é sobre posicionar o Brasil na vitrine das marcas mais confiáveis do planeta.
Rav Tank ainda concluiu dizendo que a certificação Kosher oferece oportunidades de crescimento e reconhecimento global para Brasil e exemplificou:
- Expansão Internacional: Acesse mercados significativos nos EUA (com milhões de consumidores) e na Europa, onde a demanda por transparência na cadeia de suprimentos está em crescimento.
- Diferenciação no Mercado Nacional: No Brasil, o selo pode destacar as empresas cerificadss em redes premium e atrair consumidores que buscam alta qualidade, incluindo públicos veganos e pessoas com alergias.
- Facilidade na Exportação: A certificação pode ajudar a superar barreiras em mercados com regulamentações alimentares específicas, como alguns países do Oriente Médio, e atender às exigências de qualidade de grandes empresas globais.
Rav Tank: Considerar a certificação Kosher é uma forma de posicionar o Brasil para alcançar novos públicos e fortalecer sua reputação no mercado global.

